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O Vale do Ribeira

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Localizada no sul do estado de São Paulo e no leste do Paraná

 

Recebe este nome em função da bacia hidrográfica do Rio Ribeira de Iguape e ao Complexo Estuarino Lagunar de Iguape, Cananeia e Paranaguá. Sua área de 2 830 666 hectares abriga uma população de 481 224 habitantes e inclui integralmente a área de 31 municípios (nove paranaenses e 22 paulistas). Existem, ainda, outros 21 municípios no Estado do Paraná e outros 18 municípios no Estado de São Paulo, que estão parcialmente inseridos na bacia do Ribeira.

Abriga 61 por cento da mata atlântica remanescente no Brasil, 150 000 hectares de restinga e 17 000 de manguezais. Em 1999, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura declarou a região Patrimônio Natural da Humanidade. Ela contém uma das maiores biodiversidades do globo, pois conserva a maior porção de mata atlântica do Brasil. A região é produtora de água de qualidade, tanto para abastecimento humano quanto para a fauna aquática. O Vale do Ribeira apresenta ecossistemas aquáticos (rio, estuário e mar) e terrestres (duna, mangue, restinga e floresta ombrófila densa).

A região é destacada pela preservação de suas matas e por grande diversidade ecológica. Seus mais de 2,1 milhões de hectares de florestas equivalem a aproximadamente 21 por cento dos remanescentes de mata atlântica existentes no Brasil, sendo a maior área contínua de um ecossistema do Brasil. Neste conjunto de áreas preservadas são encontradas não apenas florestas, mas importantes comunidades indígenas, comunidades quilombolas, comunidades caiçaras, imigrantes e uma biodiversidade em plena preservação.

Os principais ciclos econômicos do Vale do Ribeira se instalaram ao longo da história e foram: a exploração aurífera e outros minérios; o cultivo do arroz; o cultivo do café; o cultivo de chá e o cultivo de banana. Estes ciclos econômicos transformaram o Vale do Ribeira em uma potencial fonte de recursos naturais de baixo custo para regiões próximas.

Cananeia

Cananéia está no centro de um corredor biológico de 110 km que se estende desde a foz do Rio Ribeira em Iguape (SP) até a baia de Paranaguá (PR) e é um dos maiores berçários de vida marinha do planeta. O município tem 1.358 km², população de aproximadamente 15 mil habitantes, clima ameno e temperatura média do mar entre 22 e 28 º C. Na diversidade desse ambiente você encontra o Parque Estadual da Ilha do Cardoso (PEIC), cachoeiras, comunidades caiçaras e quilombolas, a curiosa história da cidade como primeiro povoado fundado no Brasil, e suas lendas, fauna, flora, festas e culinária.  

Atrativos Turísticos

Conjunto de casarios históricos - “O casario acompanha a pobreza da velha matriz, edificações baixas, no rês do solo, alinham-se umas encostadas às outras, raríssimas em sobrado, todas com beirais, de porta ao lado, ou ao centro, duas, três, quatro janelas, batentes ou ombreiras vários ainda de pedra, com fechos em curvas ligeiras, batidas. Desmancham um tanto o velho e simpático conjunto uma ou outra casa de construção recente, influência italiana, de calhas internas e platibandas.” (Aureliano Leite - Processo de tombamento da área histórica central da cidade de Cananéia n° 9170 -  ano 1969.) As primeiras construções de Cananéia são aquelas localizadas na Rua Tristão Lobo. Constitui um conjunto significativo arquitetônico de casarios, construídos no final do século XVIII e início do século XIX. As paredes das residências eram construídas com pedras e argamassa composta de areia, cal de ostras retiradas dos sambaquis e óleo extraído da baleia.

Igreja de São João Batista - A Igreja de São João Baptista, situada na praça central, foi construída em 1577 para servir de fortaleza contra invasores. A parede é espessa e constituída de calcário retirado de conchas e de óleo extraído da gordura de baleias que eram caçadas ao redor da Ilha do Bom Abrigo. Pequenas frestas na parede lateral da igreja e de frente ao estuário (as seteiras) permitiam a passagem de flechas de dentro para fora, para atingir os intrusos sem que os mesmos atingissem quem se encontrava no interior da igreja. A história relata muitos conflitos com os piratas holandeses e ingleses em procura de riquezas e de vantagens nestas novas terras. As seteiras ainda hoje se destacam na atual Matriz e nos falam desses conflitos armados quando a igreja abrigava o povo da vila nas horas de guerra e perigo.

O Centro de Exposições - possui um acervo com curiosidades e características que retratam a história e a cultura de Cananéia. Possui um tacho de bronze que foi trazido pelos navegadores portugueses. O tacho foi colocado na Ilha do Bom Abrigo em 1767 e nele era derretido óleo de baleia para se fazer a mistura com cal de ostras e areia da praia, resultando em argamassa utilizada para construção das casas que na época eram feitas de pedra. Outro atrativo do acervo do museu é o tubarão, o segundo maior do mundo. Foi pescado em 1992, com 5,5 metros de comprimento e 3500 Kg.

Obelisco e canhões - foram deixados pelos ingleses aproximadamente 20 canhões no pontal da Trincheira. Os canhões foram rolando para o fundo do mar, na proporção que ia desmoronando o barranco de blocos de piçarra, comido ou tragado pelo mar, e somente quatro dos canhões foram trazidos com muito custo da Trincheira para a cidade no ano de 1990. Dois canhões foram levados para a Praça Martim Afonso de Souza e estão expostos em base de cimento ao lado do Obelisco desde Agosto de 1931, quando Cananéia comemorava com festividades a passagem dos seus quatro centenários de fundação. O terceiro canhão foi levado para o alto do Morro São João e explodiu quando tentavam fazê-lo funcionar. O último canhão foi levado para a cidade de Iguape.

A Figueira de Cananéia - “Há muito tempo , um pássaro trouxe no bico pequenina semente de figo silvestre e abandonou junto do velhíssimo pilar construído no ano de 1.531 em Cananéia, na época da colonização de Martim Afonso de Souza. A semente em contato com o limo úmido que revestia a pedra, germinou, transformou-se em arbusto e tomou corpo. Fez-se afinal, com o correr dos anos gigantesca árvore e seu caule cresceu, enorme, em torno do pilar que lhe servia de berço, envolvendo-o completamente ... e hoje, pelas fendas e olhos naturais do tronco, podem ver-se vestígios da Pedra, ali zelosamente guardada como um relicário.” A Figueira de Cananéia, conhecida como árvore do coração de pedra, deverá ser  cuidadosamente conservada , para que a sua longa existência se estenda por muito tempo ainda.

Morro São João e a Trilha do Mirante, localizam-se na Ilha de Cananéia. É um elemento marcante na paisagem ambiental da cidade. No morro existe uma trilha que permite o percurso dentro da Mata Atlântica até chegar a um mirante de onde pode-se observar o complexo estuarino lagunar, a cidade, as praias e as ilhas.

Pier Municipal também é c onsiderado Ponto de Interesse Ambiental, como vimos no caso anterior. Localiza-se na Avenida Beira-Mar, próximo à Prefeitura Municipal. No Pier Municipal acontecem as saídas de barcos e escunas à passeios pelo estuário.

Outros atrativos turísticos podem ser feitos através de barcos como a Gruta de Nossa Senhora de Fátima, os Argolões de Bronze encravados na pedra, que serviam para amarrar as caravelas da expedição de Martim Afonso.

A melhor de todas as recompensas turísticas é observar os botos-cinza que se aproximam dos barcos.

Cananéia – Roteiro das Cachoeiras

Roteiro voltado para todos os turistas interessados em ter contato direto com a Mata Atlântica. 

O roteiro inclui 3 belíssimas cachoeiras nas comunidades continentais da cidade.  

O turista irá se deparar com 3 belíssimas cachoeiras, sendo elas: Pitu, Mandira e Rio das Minas. O ideal é que o turista seja acompanhado de um monitor ambiental para obter informações sobre cada cachoeira e para localizá-las.  


Cachoeira do Pitu 

Localizada na Comunidade do Itapitangui onde encontra-se muita concentração de mata Atlântica e era antiga região de mineração. Acesso pela Estrada velha de Jacupiranga. Próximo também está o Projeto AgroFlorestal, onde o turista pode conhecer um pouco do trabalho da agricultura familiar. Esta é a cachoeira com maior estrutura para visitação, com banheiros e local para refeição (necessário agendar com antecedência).  Duração: 1 hora. Grau de dificuldade: Leve Taxa de visitação: R$3,00.


Cachoeira do Mandira

É uma belíssima cachoeira que parece se esconder em meio à mata. Com uma pequena caminhada de 20 minutos é possível conhecê-la. A cachoeira fica próxima à comunidade do Mandira reconhecida pelo Governo como remanescente Quilombola, por desce nder dos negros escravos. Onde existe uma Reserva Extrativista de Ostra e um trabalho muito interessante de artesanato produzido pelas mulheres da comunidade. Duração: 1h30. Grau de dificuldade: Médio 


Cachoeira Rio das Minas

Esta cachoeira fica localizada na área do Parque Estadual de Jacupiranga, á aproximadamente 30 Km de Cananéia. Cercada pela Mata Atlântica, a cachoeira é sem duvida uma das maiores e mais belas cachoeiras da região. Duração: 2 horas. Grau de dificuldade: Médio Taxa de visitação: R$5,00.

Acessos ao município

De carro: Saindo de São Paulo, seguir pela BR116 (Rodovia Régis Bitterncourt) até o km 200 e continuar pela SP226. Passar pela cidade de Pariquera-Açú e, 16 km depois, entrar à esquerda no trevo. Seguir pela estrada e passar pela ponte Euclides Figueiredo que liga o continente á Ilha de Cananéia. Há a opção de seguir em frente até Porto Cubatão e atravessar pela balsa. O tempo de viagem (sem paradas) será em média de 3 horas e 30 minutos.  


De ônibus: ônibus direto saindo da rodoviária Barra Funda (em São Paulo). Rodoviárias da cidade de Osasco e Jundiaí . Tempo médio de viagem: 5 horas. 

Parque Estadual Ilha do Cardoso

A Ilha do Cardoso localiza-se no litoral sul de São Paulo, no município de Cananéia, a 272 Km da cidade de São Paulo. 

Tem como ponto de referência o extremo sul da Ilha Comprida e a Ilha de Cananéia, das quais se separa pela Bahia de Trapandé.

Abrange uma área de 22 mil hectares, onde são encontrados vários tipos de vegetação da Mata Atlântica, que proporcionam variedade extraordinária de ambientes e alta diversidade biológica. Além de mamíferos grandes, como baleias, mono-carvoeiros, bugios e, de menor porte, suçuaranas e veados-mateiro, num total de 86 espécies cataloga das pelo Instituto Florestal de São Paulo.  

Apesar de localizada em pleno litoral de São Paulo, a ilha conseguiu manter-se preservada, visto que o acesso a ela não é tão fácil. De carro é preciso seguir pela Rodovia Régis Bittencourt (BR 116) até Cananéia. O acesso à Ilha é feito do porto, de onde partem escunas e voadeiras (pequenas lanchas), até as comunidades tradicionais.  


A ilha é composta por seis comunidades tradicionais, sendo as mais desenvolvidas o centro de pesquisas Núcleo Perequê e a comunidade Marujá. Passeios podem ser agendados com os monitores ambientais, que dão verdadeiras aulas de conservação do meio ambiente. As famílias tradicionais que moram na ilha também buscam a preservação do meio, respeitando as regras do parque estadual e, de certa forma, monitorando os passeios também.